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Podemos investigar os ensinos da religião a qual pertencemos, seja ela qual for?

Todos os grifos, negritos e itálicos em citações de fontes que não sejam deste mesmo Site foram acrescentados pelo autor deste artigo.

Desde o tempo em que comecei a me associar com as Testemunhas de Jeová, me tornando assim um membro ativo e batizado, me recordo das constantes recomendações presentes nas literaturas "teocráticas", que alertavam para o perigo existente na leitura de livros, revistas, panfletos ou quaisquer outros meios que abordassem algum tema religioso ou bíblico, caso não fosse algo editado pelas Testemunhas de Jeová. Isto me marcou muito, ainda mais pelo fato que me tornei publicador (pregador) aos 13 anos de idade, época em que meus pais vieram a ser membros ativos desta organização religiosa; na realidade, passei toda a minha vida sem ter qualquer contato com literaturas de cunho religioso ou bíblico que não fossem os escritos das Testemunhas de Jeová.

Segundo o que me recordo, em certa ocasião me senti um pouco embaraçado por acatar seriamente este ensino. Durante o serviço de campo (pregação), bati na porta da casa de uma senhora, adepta da Assembléia de Deus. Apesar de os ensinos desta denominação serem diretamente contrários a maioria dos ensinos das Testemunhas de Jeová, esta senhora aceitou educadamente um pequeno folheto que eu lhe ofereci – deixando bem claro que iria ler, mas provavelmente não iria concordar com o que ali estava escrito. Naturalmente que fiquei contente com a reação desta simpática senhora, ainda mais pelo fato que os membros desta entidade religiosa são extremamente firmes em suas negativas, quando visitados ou de qualquer forma abordados por uma Testemunha de Jeová que tenha o objetivo de lhes transmitir algo sobre sua crença.

Não muito tempo depois, ao fazerem um trabalho de distribuição de folhetos na rua, alguns membros da Assembléia de Deus (incluindo a citada senhora) abordaram a mim e a um companheiro, também Testemunha de Jeová, e lhe dirigiram a palavra (talvez pelo fato de ser mais velho que eu), oferecendo-lhe um pequeno tratado publicado por sua religião. Naquele momento observei que a senhora havia me reconhecido, e para a decepção daquela pregadora, meu companheiro recusou o folheto que se lhe havia sido proposto. A reação de surpresa daquela senhora foi expressa nas seguintes palavras: "Mas se vocês saem, oferecem e esperam que aceitemos e leiamos suas publicações, por que não fazem o mesmo quando se lhes oferece algo?" – e para completar sua argumentação, ela imediatamente citou Lucas 6:31: "Também, assim como quereis que os homens façam a vós, fazei do mesmo modo a eles". Nesta ocasião vacilei mentalmente em minha determinação de não aceitar escritos religiosos ou bíblicos que não fossem publicados pelas Testemunhas. Mas acho que o senso de fidelidade à organização na qual eu depositava toda a minha confiança falou mais alto e em pouco tempo as marcas do acontecido desapareceram. No entanto, tendo em vista o fato que acabo de descrever, pergunte-se: o que você faria, o que você pensaria nesta situação? Ainda que aceitasse e depois jogasse o panfleto no lixo, estaria agindo em acordo com Lucas 6:31? Afinal, todos os que são ou foram Testemunhas de Jeová, certamente lembram-se das constantes e firmes admoestações para que os membros não leiam sequer uma palavra de literaturas de tom religioso ou bíblico que de algum modo venham a possuir - caso estas não sejam publicadas pela associação religiosa das Testemunhas de Jeová [este argumento será abrangido na matéria que se segue a esta].

E provavelmente, caso você seja uma Testemunha de Jeová, levante mentalmente a mesma questão que levantei na ocasião supracitada: "É lícito que eu, sendo uma Testemunha de Jeová, leia escritos e textos que não sejam oriundos da Organização Mãe, a Torre de Vigia?" Na realidade, estou certo de que irá se indagar desta forma. Assim, antes de iniciarmos qualquer pesquisa, mesmo sendo esta baseada nas literaturas da própria Torre de Vigia e na Bíblia, notemos o que dizem as Escrituras a respeito deste assunto (todas as citações, exceto quando indicado, são da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, editada e publicada pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados):

"Amados, não acrediteis em toda expressão inspirada, mas provai as expressões inspiradas para ver se se originam de Deus, porque muitos falsos profetas têm saido pelo mundo afora" - 1 João 4:1

"Segundo o costume de Paulo, ele entrou, indo ter com eles e ...raciocinou com eles a base das Escrituras, explicando e provando com referências que era necessário que o Cristo sofresse e fosse levantado dentre os mortos" - Atos 17:2,3

"Os irmãos enviaram imediatamente tanto Paulo como Silas, de noite, para Beréia, e estes, ao chegarem, entraram na sinagoga dos judeus. Ora, estes últimos eram de mentalidade mais nobre do que os de Tessalônica, pois recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim." – Atos 17:10-11

Conforme pode ser observado acima, as Escrituras recomendam que, independentemente da fonte, analisemos e examinemos a veracidade das informações que nos são apresentadas. A aplicação deste conselho é tão importante que apesar de o apóstolo Paulo ser ungido com espírito santo, escritor inspirado de cartas a co-cristãos e pregador exímio das boas novas a respeito do Cristo, este mesmo – e os ensinos que trazia - foi submetido a um minucioso escrutínio e questionamento por parte dos habitantes de Beréia. O comportamento adotado tanto pelos bereanos como pelo apóstolo Paulo certamente lançam luz sobre como deveriam se comportar tanto nós, como crentes, quanto aqueles que têm seus ensinos escrutinados. Neste sentido, nos perguntemos: por acaso se irritou o apóstolo Paulo pelo fato de que tais pessoas não simplesmente acreditaram credulamente em suas palavras? Ficou Paulo irado com tais pessoas, chamando as mesmas de "apóstatas" por questionarem os ensinos que ele os apresentava? Se revoltou Paulo porque pessoas estavam duvidando do que ele falava, sendo que o mesmo era comprovadamente ungido com espírito santo, portador de dons especiais e servo de Deus por tempo integral, tendo larga experiência de ensino? Não! Paulo entendia plenamente que pessoas de mente aberta questionam ensinos, e em função disto ele "explicava e provava com referências" (Atos 17:2,3). Certamente o comportamento do apóstolo Paulo demonstra de maneira exemplar o modo como aqueles que assumem o papel de instrutores - sendo estes pessoas físicas ou mesmo um grupo organizado - deveriam reagir quando tivessem seus ensinos, técnicas ou métodos avaliados a luz da Bíblia e do raciocínio cristão.

Assim, biblicamente estamos livres para pesquisar, ler e comparar nossas crenças com a Bíblia e a lógica natural das coisas. Mais que isto, temos o direito de conhecer o passado completo da organização religiosa a que pertencemos, seja ela qual for – incondicionalmente. Neste respeito, até mesmo as publicações da Torre de Vigia trazem certas citações que apóiam estes argumentos. Vejamos alguns exemplos típicos, sendo que alisto a exata fonte da matéria, para que o leitor possa conferir e desta forma estas citações não sejam classificadas como estando "fora do contexto":

"Precisamos examinar não só o que nós mesmos cremos, mas também o que é ensinado pela organização religiosa com que talvez nos associemos" - A Verdade que conduz a Vida Eterna, página 13, parágrafo 5.

"Convidamos a todos os de mente aberta a considerarem este assunto. O livro Belief in God and Intellectual Honesty (A Crença em Deus e a Honestidade Intelectual) observa que a pessoas de "honestidade intelectual" caracteriza-se pela "prontidão de escrutinar o que acredita ser verdadeiro" e por "prestar suficiente atenção a outras evidências disponíveis"" - Existe um Criador que se importa com Você?, página 9, parágrafo 3.

"Não é errado a pessoa tentar refutar os ensinos e as práticas de um grupo religioso que ela julgue ser incorretos." - Despertai!, 8 de setembro de 1997, página 6.

"Aceite a verdade onde quer que a encontre, não importa o que ela contradiga." - Zion’s Watch Tower, Julho de 1879, páginas 8 e 9.

Naturalmente, o objetivo da Torre de Vigia através das declarações acima não é o de incentivar os membros ativos das Testemunhas de Jeová a investigarem sua própria religião - muito menos utilizando fontes de consulta que não sejam publicações de própria autoria. Em realidade, a Torre de Vigia escreveu as sentenças acima citadas no empenho de convencer pessoas de outro credo religioso, político ou cultural a examinarem os ensinos das Testemunhas de Jeová - com a mente aberta, como citado. São palavras que procuram incutir no leitor a idéia de que não existe erro algum em se possuir uma mente indagadora, e fazer pleno uso desta qualidade - fato este indiscutível. No entanto, embora o alvo da Torre de Vigia seja os adeptos de outros credos, o incentivo dado não pode de forma alguma excluir as próprias Testemunhas de Jeová. De fato, nos pareceria uma hipocrisia titânica uma organização incentivar pessoas de outros credos a escrutinar suas crenças de forma crítica e comparativa, e ao mesmo tempo se colocar acima de qualquer pesquisa, dizendo não estar sujeita a nenhuma forma de investigação completa, inteligente e racional.

Concordemente, 1 João 4;1, Atos 17:2,3 e Atos 17:10-11 não excluem nenhuma religião ou crença, de escrutínio profundo e comparativo. Se até mesmo servos inquestionavelmente ungidos e inspirados tiveram suas palavras colocadas a prova, e aceitaram tal situação, é de se esperar que qualquer organização séria - no caso, de caráter religioso - aceite que seus membros ou outras pessoas de fora exerçam seu direito de pesquisar, estudar seu passado, comparar suas crenças com os ensinos de Cristo e chegar a uma opinião não guiada por pensamentos dogmáticos ou pré concebidos.

Portanto, pesquisar, ler e perguntar são a chave da verdade - assim como os bereanos deixaram claro ser o mais sábio proceder. Por este motivo, não devemos supor que a organização religiosa a que pertencemos está acima de escrutínio; não devemos supor que a religião a que pertencemos tem a "verdade" absoluta, e por isto não podemos questionar ou pesquisar seus ensinos. Mesmo que nossa religião esteja ensinando honestamente a verdade, os acontecimentos passados – como o que se passou em Beréia com o apóstolo Paulo – abrem precedentes para que examinemos em detalhes a organização com a qual talvez nos associemos.

Todavia, o interesse que provavelmente tenha em conhecer mais a matéria aqui exposta talvez fique bloqueado pelo que aprende através de literaturas e discursos providos pelo assim chamado "Escravo Fiel e Discreto", o centro de comando espiritual da Torre de Vigia. Sabemos todos que as Testemunhas recebem instruções explícitas que praticamente as proibem de ler qualquer coisa que vá contra os ensinamentos de sua organização religiosa ou que exponha seu passado – sem uma cortina de fumaça que o purifique visualmente – classificando tais escritos como "apóstatas". Mas será isto realidade? O que exatamente vem a ser "apostasia", e em que se fundamenta a Torre de Vigia para proibir seus adeptos de terem contato com dissidentes ou ex-membros? Este será o próximo assunto a ser considerado.