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Corpo Governante

 

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Um Corpo Governante?

Traduzido e adaptado de Lightbearer

Todos os grifos, negritos e itálicos em citações de fontes que não sejam deste mesmo Site foram acrescentados pelo autor deste artigo.

 "...não entrei imediatamente em conferência com carne e sangue. Tampouco subi a Jerusalém, aos que eram apóstolos antes de mim, mas parti para a Arábia e voltei novamente a Damasco" - Gálatas 1:16,17

Em Atos capítulo 15, certos homens da Judéia vieram à Antioquia e começaram a ensinar aos irmãos que a circuncisão era ainda necessária. Paulo e Barnabé, após disputarem com estes homens vieram a Jerusalém, de onde eram as pessoas que causavam dissensão. Foi em Jerusalém, com a participação dos Apóstolos, anciãos e a inteira congregação, que se chegou a uma decisão, e não com um pequeno grupo como mostrado em A Sentinela de 15 de março de 1.990 (Atos 15:22). Será que isto prova que existia um corpo governante em Jerusalém que tomava decisões para toda a congregação em base permanente?

Observe o que um estudioso do 19º Século, Barnes, mostrou em Barnes‘ Notes, página 235: "Não existe a mais leve sugestão de que alguma coisa neste concílio fosse em caráter permanente, ou que aquilo fosse periodicamente ou regularmente repetido. Prova, antes, que quando casos de dificuldade ocorrem, é apropriado recorrer a homens cristãos por conselho e direção... mas o exemplo do concílio convocado em uma emergência especial em Jerusalém não deveria ser pleiteado como dando autoridade divina a estas assembléias periódicas..."

Para onde foi o apóstolo Paulo após sua conversão a Cristo? "Se tal corpo governante existisse, ele certamente estaria interessado em coordenar seu trabalho com seus membros [i.e. membros do corpo governante]... Mas Cristo não disse nada a Paulo (Saulo) sobre ir a Jerusalém. Ao invés de o enviar de volta a Jerusalém, exatamente de onde Paulo havia vindo, Cristo o enviou a Damasco. Ele [Cristo] deu suas instruções para Paulo através de um Damasceno chamado Ananias, claramente não um membro de algum chamado ‚corpo governante‘ com sede em Jerusalém. Desde o início de sua carta aos Gálatas (cap. 1, vers. 1), o próprio Paulo mostra que nem seu apostolado nem sua orientação espiritual procediam de ou através de homens, especificamente incluindo homens apostólicos em Jerusalém" (1). Note as palavras de Paulo em Gálatas 1:16,17 – "16 ...não entrei imediatamente em conferência com carne e sangue. 17 Tampouco subi a Jerusalém, aos que eram apóstolos antes de mim, mas parti para a Arábia e voltei novamente a Damasco". Aqui Paulo mostra sua decisão de não ir à Jerusalém ter conferência com homens ("carne e sangue"). Isto apóia o argumento de que não havia um corpo central provido de autoridade para coordenar ou comandar todas as Congregações Cristãs.

No versículo 18, Paulo nos mostra que a partir de então somente três anos depois ele fez nova viagem a Jerusalém. (Gálatas 1:18) Ele então declara que naquela ocasião ele viu apenas Pedro e o discípulo Tiago, mas não outros dos apóstolos durante sua estadia de quinze dias. Ele não se reuniu com um corpo governante central ou com os anciãos em Jerusalém. Depois disso Paulo estabeleceu sua base em Antioquia, não em Jerusalém. Ele se engajou em viagens missionárias, e era a congregação de Antioquia que o enviava, não Jerusalém.

Agora, no capítulo 2, e primeiro versículo, Paulo nos conta que foi somente após quatorze anos que ele voltou novamente a Jerusalém – "Daí, quatorze anos depois, subi novamente a Jerusalém, com Barnabé, tomando também comigo a Tito". (Gálatas 2:1) Se realmente existisse um corpo governante em Jerusalém, o apóstolo Paulo (escritor de 14 cartas do cânon bíblico) não haveria esperado 14 anos para viajar à Jerusalém e conversar pessoalmente com aqueles anciãos. Assim, para voltar lá somente 14 anos depois para os encontrar seria apenas uma especulação, mas inversamente Paulo nos conta qual o motivo de sua viagem: o resultado de uma revelação (não para conferenciar com uma central de comando, corpo governante ou com os anciãos). Isto mostra que os Cristãos costumeiramente e rotineiramente não encaravam Jerusalém como a sede de uma autoridade centralizada para todas as congregações Cristãs. (2)

É um fato histórico que nenhuma federação formal de igrejas, união de denominações, nem um conglomerado fixo regulava as igrejas, nos primeiros dois séculos da era Cristã. Em seu clássico "The Organization of the Early Christian Churches" [A Organização das Primitivas Igrejas Cristãs], o renomado historiador religioso e erudito Edwin Hatch (1.835-1.889) demonstrou que nenhum indivíduo superior ou corpo organizacional governou sobre as igrejas Cristãs locais. Cada congregação era autônoma e independente, com a jurisdição dos seus anciãos restritas à igreja local:

"No decorrer do segundo século, o costume de reuniões em assembléias representativas começou a prevalecer entre as comunidades Cristãs...

... No início estas assembléias eram mais ou menos informais. Algum proeminente e influente bispo convidava umas poucas comunidades vizinhas a se reunir com ele: o resultado da deliberação de tal conferência algumas vezes era expresso através de uma resolução, e algumas vezes através de uma carta endereçada a outras igrejas. Via de regra tais cartas eram recebidas com respeito: pois o senso de fraternidade era forte, e as causas de alienação eram poucas. Mas longe de estas cartas terem alguma força de ligação em outras igrejas, nem mesmo as resoluções da conferência eram obrigatórias à minoria divergente dos seus membros. Cipriano (morto em 258 D.C.), o qual em seus dias tais conferências se tornaram importantes, e quem era ao mesmo o mais vigoroso dos primitivos pregadores da unidade católica – ambas das circunstâncias que o teriam feito apoiador de seu [da igreja] caráter autoritário se tal caráter autoritário tivesse existido então – declara em enfáticos e explícitos termos a absoluta independência de cada comunidade [religiosa]... Dentro dos limites da sua própria comunidade, o superior não era o bispo, mas Deus.

... Mas não antes que o Cristianismo fosse reconhecido pelo Estado tais conferências tenderam a se multiplicar, a se tornarem não ocasionais mas ordinárias, e a passar resoluções que estavam relacionadas com a ligação das igrejas de dentro do distrito do qual haviam vindo seus representantes, sendo que a aceitação dos quais estava relacionado com a condição de outras províncias... Foi através destes passos graduais que as Igrejas Cristãs saíram de sua original condição de independência para uma grande confederação." (3)

Certamente que pode ser visto em Atos dos Apóstolos que as primitivas igrejas [congregações] estavam ligadas conjuntamente nos seguintes laços:

bulletConformidade às práticas universais cristãs como ensinado pelos apóstolos
bulletCompartilhamento financeiro com congregações mais pobres
bulletSaudações e cartas enviadas de uma para outra
bulletDiferentes pregadores viajavam livremente entre as diferentes congregações
bulletTodos os Cristãos tinham a responsabilidade de oferecer hospitalidade aos viajantes Cristãos
bulletTodos os Cristãos deveriam orar uns pelos outros
bulletTodos os Cristãos deveriam ver a si mesmos como uma fraternidade mundial

Portanto, em face da evidência histórica, as primitivas congregações não eram lideradas por um corpo governante, tendo autoridade sobre as locais. Atos capítulo 15 não pode ser utilizado para justificar organizações internas nas igrejas ou cortes com autoridade sobre a igreja local. Elas não eram lideradas por um corpo governante superior, tendo autoridade sobre todas as outras. (4)

 

Notas complementares:

  1. In Search of Christian Freedom [Em Busca de Liberdade Cristã] – Raymond Franz, página 43
  2. Ibid, página 44
  3. The Organization of the Early Christian Churches [A Organização das Primitivas Igrejas Cristãs] – (Londres: Longmans, Green, and Co, ... 1.901), pp. 170-172, 175 – Edwin Hatch
  4. Biblical Eldership – pp. 128-129 – Alexander Strauch